VIAJANDO NA MAIONESE COM DUDU OLIVA O LINDO E CRISTALINO DE LA VEGA
Dudu Oliva


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05/05/2006 23:23
REFLEXÃO DE COMO A TECNOLOGIA AJUDA PARA INTERAÇÃO E A PROPAGAÇÃO DAS INFORMAÇÕES
Há mais ou menos dois anos atrás não sabia muito bem o que era um blog. Por algumas leituras superficiais considerava que era um diário virtual, no qual a pessoa colocava suas intimidades. Quando comecei a escrever e a enviar alguns textos para publicação para sites literários, comecei a perceber que há uma diversidade gêneros de blogs: culturais, jornalísticos, divulgação de serviços e entre outros. Deparei-me com pessoas muito talentosas. Outro fator interessante é que muitos indivíduos mantêm blogs de informações e notícias e não são exclusivamente jornalistas ou estudantes das áreas de comunicação e de letras. São amadores que divulgam eventos culturais, acontecimentos políticos e sociais. Eles não querem mais se informar. Interagem e almejam exercer a liberdade de pensamento. Fiquei tão interessado pelo assunto, que pedi a um professor que me indicasse uma bibliografia a respeito. Ele me repassou o artigo ERA DOS WEBLOGS (Jay Rosen Tradução de Carlos Castilho), que argumentava que o discurso jornalístico não pertence aos jornalistas somente. “O jornalismo deve ser entendido como uma prática e não como uma profissão. O jornalismo pode ser praticado em qualquer ambiente. Ele existe independentemente dos mecanismos de distribuição. Isto também significa que o jornalismo não é sinônimo, sob qualquer ponto de vista, de "mídia". A mídia, ou a grande mídia como alguns a chamam, não é dona do jornalismo e nem pode usa-lo a seu bel-prazer.” . Por exemplo, antes mesmo da INTERNET sempre houve jornais e panfletos de que circulavam em comunidades escolares e de bairro. Os envolvidos nem eram formados em Comunicação Social, aliás, há muitos anos atrás nem existia Faculdade de Jornalismo. “Mesmo que apenas uma fração pequena do "jornalismo real" (seja como vocês o definirem) aderir aos weblogs, isto ganha importância por um simples fato: os blogs representam o ingresso na esfera pública. Cidadãos de todas as categorias, que decidem publicar suas idéias em revistas que eles mesmos editam – já há muita delas – podem, a qualquer momento, usar também o caderno de repórter. A primeira coisa que provavelmente atrairá a atenção deles é algum evento que de alguma forma, afete suas vidas, talvez uma reunião do conselho escolar de seu bairro.” . Com a proliferação dos blogs e sites haverá uma ampliação do discurso democrático e da pluralidade de pontos de vistas. Tenho alguns blogs. Publico as minhas idéias, entrevistas que faço e histórias. A liberdade de escrever o que quero, apagar e escrever novamente me fascina. Tenho a impressão que melhoro um pouco a escrita. As pessoas que liam os textos produzidos por mim antes, dizem hoje que evoluí um pouco: “Antigamente, você escrevia truncado. Agora entendemos os seus textos. Ainda tem que prestar mais atenção na concordância e na colocação dos pronomes, mas melhorou bastante.” Não sei se há projetos, contudo seria muito eficaz se os professores de informática e de português incentivassem aos alunos a manterem blogs, para que pudessem aprender articular os pensamentos pela escrita. Na reportagem do Bruno Dorigatti, repórter do site Portal Literal mostra um exemplo bastante interessante: “ Aí você pesquisa somente nas páginas do Brasil e aparecem 9.530, o que já facilita um pouco para quem ouse se debruçar sobre esse universo que ganha mais e mais adeptos e já foi até tema de um livro acadêmico. Mas afinal, o que é fanfiction, fenômeno literário que se prolifera indiscriminadamente pela internet, à margem da indústria cultural? A origem situa-se ainda no final dos anos 60, com os fãs de Jornada nas estrelas e, na década seguinte, com a série de George Lucas, Guerra nas estrelas. As comunidades de fãs (fandom) começaram a criar continuações e histórias paralelas inspiradas em seus ídolos preferidos, publicavam em fanzines e apresentavam estas histórias em reuniões esporádicas. A mania encontrou na internet o melhor suporte para proliferar e hoje, se best-sellers comandam a cena da fanfiction (Harry Potter e Senhor dos anéis principalmente), é possível encontrar quem se dedique a continuar as obras de Shakespeare, Charles Dickens e Agatha Christie.”. A reportagem ainda mostra a preocupação dos adeptos do “fanfiction” em escrever corretamente a norma escrita da língua. Diferente da linguagem de certos blogs, SMS e em salas de chat. Com a inclusão digital as pessoas terão mais acesso à informação e ao conhecimento. Terão outros meios para saber o que acontecendo em tempo real. “Os blogs são ferramentas ágeis, que permitem a publicação de notícias na velocidade em que os fatos acontecem, o que é imprescindível em coberturas como a da atual crise política. A avaliação é do jornalista Fernando Rodrigues, autor do blog de política mais visitado do Brasil, colunista do UOL e repórter especial da Folha. Rodrigues foi um dos convidados do Programa do Jô, da Rede Globo, apresentado na madrugada desta terça-feira (29)”. (Blog é ferramenta ágil na cobertura da crise, diz Fernando Rodrigues no Programa do Jô - 29-11-2005 - Sobre UOL.htm). Todavia a Internet é um mar de possibilidades, há aspectos bons e ruins. Alguns confundem a liberdade propiciada pela Rede com falta de educação. Pensam que podem fazer o que quiser. Por isso, não se deve achar que a tecnologia é o fim, mas um instrumento. Outra problemática importante é o direito autoral na Internet, que mesmo seja considerada uma zona livre, não se deve se apropriar de fotos e textos alheios sem autorização dos sites de origem. É uma discussão ética a qual se discute muito hoje em dia. Fonte: http://observatorio.ultimosegundo.ig.com.br/artigos.asp?cod=271ENO001 http://journalism.nyu.edu/pubzone/weblogs/pressthink/ http://portalliteral.terra.com.br/ ( seção de reportagens especiais) http://sobre.uol.com.br/index.jhtm
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03/05/2006 20:43
ENTREVISTA


Márcia do Valle é escritora e carioca. Escreve desde muito cedo. Divulga os seus escritos em seu blog http://www.soltanomundo.blogger.com.br/ Está lançando o seu primeiro livro, o romance 180 Graus (Editora Marco Zero).

1) Quando foi mordida pela maçã da literatura?

M: Desde pequena, eu fazia livrinhos que eram escritos e ilustrados por mim. Tenho alguns guardados até hoje. Depois, comecei a escrever diários, como a maioria das adolescentes. Só que os meus diários sempre foram um pouco diferentes dos diários das minhas amigas, porque eu nunca escrevia sobre o que eu tinha feito, sobre o que as pessoas conseguiam enxergar quando me olhavam. Meus diários retratavam meu mundo interior, aquilo que os outros só poderiam conhecer se lessem o que eu escrevia.

Com o tempo, além dos diários, comecei a escrever poesias, contos, e finalmente criei o blog. No entanto, acho que meu estilo já começou a se formar com os diários da adolescência, quando comecei a abordar os sentimentos e sonhos na forma escrita.

2) Quais são os autores que lhe influenciaram?

M:Tudo o que eu já li até hoje deve ter influenciado de alguma forma o meu trabalho. Sempre gostei de ler um pouco de cada coisa, nem que fosse para chegar no fim do livro e dizer que não gostei. Mas é claro que às vezes eu chego no fim do livro com vontade de ler outro livro do mesmo autor. E as autoras que mais me deixam com esse gostinho que quero-ler-mais são Clarice Lispector e Elisa Lucinda.

3) Antes do livro, começou a escrever os seus escritos num blog. Como o diário virtual lhe ajudou à produção do livro?

M: O blog tem duas características que parecem incompatíveis, mas que convivem muito bem no meu blog e são essenciais para minha criação: organização e liberdade.

Falo em organização porque, com a criação do blog, todos aqueles meus vários papéis com pedaços de algum texto passaram a ficar reunidos num só lugar. Melhor ainda, os textos passaram a ficar organizados num lugar onde eles não se perdem, porque isso era o que mais acontecia com os meus papéis soltos.

Essa organização do blog também me trouxe a idéia de escrever com uma certa periodicidade. Antes, havia épocas em que eu escrevia muito e depois ficava tempos sem criar nem uma frase. Com o blog, assumi um compromisso comigo mesma de atualizar a página, no mínimo, uma vez por semana. Inicialmente, essa decisão de escrever todas as semanas me levou a buscar artifícios para as épocas de pouca inspiração. Ter alguns textos, ou pelo menos idéias guardadas para uma semana em branco é uma ótima dica. Porém, com o tempo, escrever para atualizar o blog virou parte da minha rotina e essa dificuldade foi diminuindo bastante. Ou, pelo menos, as semanas em branco foram ficando mais espaçadas.

Além da organização, o blog oferece uma liberdade que considero fundamental para meu processo de criação. Posso publicar textos em prosa ou poesia, longos ou curtos, com ou sem diálogos, utilizando qualquer voz narrativa... Enfim, posso publicar no blog tudo o que eu tiver vontade de escrever. E só depois de escrever livremente, quando os textos já estiverem ali reunidos e organizados, tenho mais facilidade para trabalhar em cada texto de forma particular, ou reunir vários textos e fazer um livro.

Foi assim que o 180 Graus surgiu, analisando os textos do blog. Comecei a ler o site e notei que vários escritos tratavam das mesmas personagens, ainda que elas tivessem nomes diferentes em cada texto. Daí, com as personagens já construídas, foi só escrever a história de cada uma no livro.

4) O tema do seu livro aborda questões de hoje em dia ou também fatos que são atemporais?

M: O livro aborda relacionamentos e sentimentos, e esses são assuntos que sempre existiram e sempre vão existir. O que muda de acordo com a época é o comportamento que é mais aceito pela sociedade, mas os sentimentos surgem independentemente dessa cartilha social que nos é ditada. Dependendo da década ou do século, o fim de um longo relacionamento pode ser visto com reprovação ou não. Quando esse julgamento existe e é negativo, algumas pessoas optam até mesmo por continuar vivendo um relacionamento que já está morto. No entanto, essa escolha não faz com que a tristeza e os questionamentos diminuam. Esses sentimentos continuam existindo em igual intensidade. Assim como a alegria acompanha o surgimento de uma nova paixão, sem que isso esteja atrelado a nenhuma regra de etiqueta. Por isso, considero que as questões abordadas são atemporais.

5) Como é ser uma jovem escritora num país que nunca se incentivou cultura? Como se sente?

M: Devido à falta de incentivo, é bastante complicado conciliar a carreira de escritora com as contas vencendo no final de cada mês. É preciso, acima de tudo, gostar muito de escrever. Mas não basta escrever, também é preciso divulgar e promover os textos, a não ser que alguém esteja disposto a investir tempo e dinheiro em você. Por isso, atualmente meu maior desafio é a divulgação do meu trabalho, principalmente porque nessa área meu know-how é quase nenhum.

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03/05/2006 14:20
ENTREVISTA
Entrevistei Edison Kenjo Iura responsável pelo site http://www.kakinet.com, onde divulga e informa sobre essa arte antiga e com beleza sígela que é o poema japonês Haicai. Vale a pena conhcer o site. mailto:kakinet@uol.com.br
1) O que é hiacai?
R: Haicai é uma pequena anotação sobre o momento presente, normalmente escrita em três versos.
2) A diferença entre o poema ocidental e o haicai?
R: O poema ocidental parte de uma perspectiva subjetiva, enquanto o haicai é objetivo, isto é, ou coloca os pensamentos e sentimentos do autor em segundo plano ou os escamoteia completamente.

3) O haicai brasileiro tem uma certa auntonomia em relação ao original. Ou ainda segue às normas do haicai japonês?
R: O haicai brasileiro tem muitas faces. Não há necessidade de obedecer às normas japonesas. Guilherme de Almeida, estabelecendo suas próprias regras, é um caso de abrasileiramento do haicai.
4) As paísagens brasileiras são ótimas fontes de inspiração para fazer o haicai?
R: O haicai encontra sua grande fonte de inspiração na natureza e suas mutações. Mas mesmo para quem mora nas cidades não faltam oportunidades de exercitar sua poesia.
5) Resumidamente, quais os elementos básicos para fazer um bom haicai?
R: Para fazer um bom haicai é necessário estar atento ao que acontece ao redor, não dispensando os mínimos movimentos da natureza e dos seres humanos que dela fazem parte. Não tenha vergonha de anotar mesmo as situações mais insignificantes. Sempre haverá alguém no mundo que irá se emocionar com o que você escreveu.
6) O haicai veio há muito tempo aqui no Brasil. Mas, a popularização desse gênero hoje em dia veio com os mangás e animes, que estão tomando conta da tv e nas bancas?
R: O fascínio do ocidente pelo oriente não começou com os quadrinhos japoneses. Antes, estes últimos são apenas mais um capítulo do longo intercâmbio histórico entre os dois mundos. Mas num país de analfabetos, literais ou funcionais, o haicai é apenas mais uma forma literária a competir pela atenção de ums poucos leitores. Os haicaístas fazem a sua parte, divulgando e fazendo barulho.
PEQUENA AMOSTRA


kozo kotoshi tsuranuku bô no gotoki mono

O ano velho e o ano novo,
Como se houvesse um bastão
A trespassá-los.

Kyoshi
***

yûdachi ni utaruru koi no atama kana

Chuva de verão.
Os pingos batem
Nas cabeças das carpas.

Shiki

***
yane ni neru nushi nashi neko ya haru no ame

Um gato sem dono
Dormindo sobre o telhado —
Chuva de primavera.

Taigi

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02/05/2006 17:58
ANTROPOLOGIA DE BOTEQUIM; DEPOIS DE DEZ COPOS DE REFRIGERANTE LIGHT
Desde pequeno sempre reparei que no banheiro masculino, na maioria das vezes, há vários desenhos de pênis, cu e pênis penetrando no cu. Nunca entendi o porquê dessas figuras povoarem repetidamente nos banheiros de escolas, faculdades, shopings, rodoviárias e... Por que não desenhar vaginas? Minha irmã F. me disse que desenhá-las são difíceis. Realmente o órgão sexual da mulher é complicado; os grandes lábios e suas curvas... Diferente da simplicidade do pau e do ânus. Não creio que seja só isso. A uma relação de poder, que se insere nesse costume: O Grande Macho submete os outros com seu enorme membro, penetrando no cu dos fracos. O pênis significa poder, o ânus submissão. Também, a compulsão de alguns homens de desenhar um monte de caralhos, tem haver com auto-afirmação da masculinidade. Agora, quais são os significados da boceta? Durante muito tempo, os homens a consideravam como esfinge, que poderia devorar a masculinidade viril. Formou-se uma relação de desejo e medo. No meu ponto de vista, até hoje grande parte dos homens não compreendem os enigmas do sexo feminino. Por isso, adoram desenhar paus, cus e paus penetrando em cus. > *** http://dudve.blogspot.com/ http://dudu.oliva.blog.uol.com.br http://cartasintimas.zip.net

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01/05/2006 22:51
ENTREVISTA SOBRE JORNALISMO LITERÁRIO
” Modalidade de prática da reportagem de profundidade e do ensaio jornalístico utilizando recursos de observação e redação originários da (ou inspirados pela) literatura.Traços básicos: imersão do repórter na realidade, voz autoral, estilo, precisão de dados e informações, uso de símbolos (inclusive metáforas), digressão e humanização. Modalidade conhecida também como Jornalismo Narrativo.” http://www.textovivo.com.br/ e Email: equipe@textovivo.com.br ou e-mail de contato para fazer a pós latu senso em Jornalismo literário: celsofalaschi@textovivo.com.br
ou pos2006@textovivo.com.br

1) Poderia me dizer como se consolidou o gênero jornalismo literário, principalmente no Brasil.

Celso Falaschi: Jornalismo Literário não é uma coisa nova no Brasil. Euclides da Cunha já o praticou, quando transformou os artigos publicados em "O Estadão" no livro "Os Sertões". Todavia, foi uma iniciativa isolada e jamais um movimento. Temos, entretanto, um dado importante, centrado nas pesquisas de Edvaldo Pereira Lima, na ECA-USP, que levou o Jornalismo Literário para a universidade e vem orientando muitos jornalistas brasileiros que acreditam nessa possibilidade de fazer jornalismo literário. Poderia afirmar, portanto, que um marco do JL no Brasil é a publicação do livro "Páginas ampliadas", do Edvaldo Pereira Lima, pela Editora da Unicamp, em sua primeira versão, de 1993. A partir dessa disso, o gênero tem crescido constantemente, com vários jornalistas se dedicando ao livro-reportagem e alguns jornais abrindo espaço para as reportagens em profundidade. E é claro que o primeiro curso de especialização em Narrativas da Vida Real, oferecido em 2005 pelo TEXTOVIVO em parceria com a Metrocamp, de Campinas/SP, reunindo alunos não só de São Paulo, mas de Goiás, Paraná e Santa Catarina deve ser considerado nessa trajetória histórica.

2) Outras pessoas que cursaram outras faculdades como Letras, Ciências Sociais e etc. podem participar do curso?

Celso Falaschi: Sim, profissionais de outras áreas podem se candidatar a esse curso, aplicando as técnicas do JL em suas respectivas atividades, mas não para exercer a função de jornalistas, pois, conforme nossa legislação, o exercício do jornalismo é atribuição do graduado em jornalismo.
JL pode ser utilizado por historiadores, cientistas sociais, publicitários, relações públicas, cineastas, professores de língua portuguesa e literatura, psicólogos etc.

3) Qual será a importância do profissional especializado em jornalismo literário para o pensamento sobre a cultura e a sociedade como um todo?
Celso Falaschi: A formação profissional continuada, em Jornalismo, é inerente ao próprio processo de atuação desse profissional. O que TEXTOVIVO oferece com seu curso de pós-graduação é uma outra possibilidade de compreensão/reprodução da realidade, distante do jornalismo convencional (piramidal), mais profundo e mais humano. A equipe TEXTOVIVO acredita, ainda, que formar profissionais com esse foco vai ajudar, a médio e longo prazo, num jornalismo de melhor qualidade. Particularmente, eu avalio que a qualidade do texto no jornalismo impresso brasileiro ainda deixa muito a desejar, por uma série de motivos, inclusive por conta dos cursos de graduação centrados nas características e premissas do jornalismo informativo (objetivo). O nosso curso, portanto, amplia esse leque e oferece uma outra possibilidade de produção jornalística.

4) Como A INTERNT está contribuindo para o Jornalismo literário?

Celso Falaschi: Como espaço democrático que é a Internet tem contribuído bastante para a divulgação de uma série de novas idéias, inclusive do Jornalismo Literário. Isso porque esse veículo pode ser feito individualmente ou por grupos de pessoas que acreditam nessas idéias e não dependem de grandes investimentos financeiros para sua consecução. O TEXTOVIVO, por exemplo, nasceu assim, não tem financiamento ou qualquer aporte financeiro, a não ser o tempo e o conhecimento dispendidos por seus quatro integrantes e colaboradores.
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01/05/2006 00:36
BELO X FEIO
Estava no meu quarto, quando liguei a TV e vi o primeiro capítulo da novela mexicana A FEIA MAIS BELA exibida no SBT. A história é uma versão mexicana da telenovela colombiana Bethy, a feia que foi exibida pela Rede TV, que contava a história de uma moça inteligente e sensível, mas muito feia. Desprezada por quase todos, lutou para vencer na vida e mostrar sua capacidade. Como não conseguia um emprego à sua altura, arranjou um cargo de secretária na empresa de moda Eco Moda. Apaixonou-se pelo seu chefe Luis Armando, que no início a desprezava, porém ao decorrer do tempo, começou amá-la, mesmo sendo feia. No final da novela, Bethy ficou linda e conseguiu ficar feliz para sempre com seu amado, Armando Mendonza. O enredo foi parecido com os contos infantis Patinho Feio e A bela e a Fera, que apesar de possuírem aparentemente uma moral, em que não podemos julgar os outros pela aparência, a estrutura da narrativa foram evolucionistas. Os protagonistas deixam de ser feias e imperfeitas, para no final se transformarem em belos e perfeitos. O conceito de belo que a nossa sociedade tem, origina-se dos gregos. O ideal da beleza significa equilíbrio e justiça, enquanto o feio o caos. Na novela Bethy, a feia e a versão mexicana seguem o mesmo caminho. Por isso, os desenhos Shrek 1 e 2 são interessantes, porque rompem com a idealização do belo. Os personagens do desenho encontraram o verdadeiro amor, feios. Cada um tem sua maneira ver a vida e ninguém pode impor uma ideologia. O desenho transcende os valores tradicionais.
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