VIAJANDO NA MAIONESE COM DUDU OLIVA O LINDO E CRISTALINO DE LA VEGA
Dudu Oliva


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06/03/2010 21:22
SABEDORIA


Fiz uma coisa e agora sinto remorso. Deletei uma pessoa do meu Orkut, porque me mandava recados em massa de mensagens positivas e com figuras meigas. O que me irritou não foi o conteúdo das mensagens, mas o excesso de informações que lotavam a minha página de recado.

Se tiver algo de especial a dizer ou uma informação importante, acho bacana a pessoa compartilhar com amigos e outras pessoas. É só usar o equilíbrio ou o bom senso.

Confesso que ingresse nas redes sociais, fiquei enviando um monte de recados a fim de divulgar meu blog e escritos. Já escrevi várias vezes aqui no blogo o que escreveram para mim uma vez: “Você divulga seu blog como as Casas Bahia”. Como dizem por aí: “ quem nunca comeu melado se lambuza.”. Com o tempo, apesar de ter algumas recaídas, percebi que o efeito colateral desta prática abusiva( SPAM) causa uma repulsa nas pessoas. Simplesmente apagam as mensagens sem ler sequer uma palavra.

Retornando ao fato do primeiro parágrafo, ao ver aqueles “scraps” massivos, senti um esvaziamento dos significados das palavras. Como se a essência das palavras se esvaíssem, tornando-as ocas. Por isso, usar na hora de utilizar as redes de relacionamentos virtuais para divulgar qualquer coisa, é uma sabedoria; principalmente, contra as banalidades.

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26/02/2010 07:48
EXPLOSÃO (revisado)
Muitas vezes, acontecimentos repentinos rompem com o cotidiano. Eu estava, como todos os dias, a espera de uma carona para ir ao trabalho, quando inesperadamente um casal de cavalos invade o meio da rua. O cavalo queria montar na fêmea, que tentava fugir das investidas.

A cena chamou a atenção dos transeuntes e os carros passavam com cautela, para não haver nenhum acidente. Teve uma hora que, finalmente, o cavalo encurralou a égua e jorrou o sêmen na calçada. Depois, cansados, foram embora à deriva para outro lugar.

Eles fazem parte da grande massa de refugiados e são a consequência da devastadora invasão do ser humano, que expulsa os bichos do verdadeiro habitat e os escraviza até a última gota, descartando-os em seguida.

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21/02/2010 19:21
MICROCENA

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21/02/2010 19:19
OUTROS OLHARES
Delírio ou frustração

* Por Pedro J. Bondaczuk

O ato de escrever, notadamente para os profissionais do texto (escritores, jornalistas etc.), pode se constituir numa fonte inesgotável de satisfações, de delírio até, ou em gerador de grandes sofrimentos, por causa da frustração de não poder produzir o que se tinha em mente, por uma série de fatores, que não vem ao caso. É até desnecessário enfatizar a responsabilidade que o redator tem, tão óbvia ela é.

A palavra escrita tem possibilidades reais de influenciar pessoas tanto para o bem – ensinando, orientando e consolando – quanto para o mal – trazendo desencanto, pessimismo e ceticismo – e por várias gerações, muito além do seu tempo de produção. Depende, claro, do que trata e de como o texto é escrito. Conta com a possibilidade da permanência, ao contrário daquilo que se diz, que, como afirma o povão, “entra por um ouvido, sai por outro” e se perde no ar (mas nem sempre, claro).

Passado todo um milênio, por exemplo, aquilo que se escreveu (dependendo da sua natureza), pode ainda produzir efeitos, benéficos ou maléficos, numa quantidade às vezes muito grande de pessoas. Além do mais, o escritor – assim como o jornalista – depende de quem o lê para ser bem-sucedido (ou fracassado). E nem sempre o leitor tem critério (ou cultura, ou visão) suficiente para fazer justiça ao redator.

Como editor, com décadas de atividade, caíram-me nas mãos, até com uma certa freqüência, diversos textos muito bons, não raro acima da média, alguns até geniais, que por uma razão ou outra, nunca conseguiram “decolar”. Por isso, foram ignorados e esquecidos pelos leitores, para profunda frustração dos seus autores.

Há livros excelentes, tanto do ponto de vista temático, quanto do formal, muito bem escritos, mas que findam por criar poeira nas prateleiras das livrarias – para desespero dos que os editam e, principalmente, dos que os comercializam – por falta de quem se interesse por eles. Ocorre que, na maioria das vezes, lhes faltam alguns ingredientes essenciais para agradar: os da emoção, da cumplicidade e da empatia, entre outros. São textos que soam falsos, artificiosos e inverossímeis. São bem elaborados, é verdade, têm estilo marcante, mas carecem de entusiasmo.

Às vezes são até belas “esculturas” com palavras, mas não como a estátua de Moisés, de Michelangelo, por exemplo. Seus autores não ousariam exclamar, diante da obra acabada, como o escultor diante da sua escultura: “Parla, Moses!”. O escritor, quando transcreve suas idéias em textos, precisa pôr junto, no papel (ou, como ocorre hoje, na telinha do computador), o máximo de si.

Não se admite a auto-indulgência e nem que ele tente apresentar, no que escreve, apenas aspectos positivos, favoráveis e/ou elogiosos da sua personalidade. Isso soa falso e espanta leitores. Tem, isto sim, que se despir (espiritualmente, claro) em público. Precisa “ficar nu” perante o mundo, sem qualquer escrúpulo ou pudor.

O romancista argentino José Bianco, pouco conhecido no Brasil, mas popular em seu país, afirmou, certa ocasião, em entrevista: “Eu acredito que o entusiasmo intelectual, quando é legítimo, mais propriamente nos leva a lutar com o que amamos, para que sobreviva dentro de nós. Quer dizer, dentro da nossa própria obra. Se o material é nobre, responde a nossas provocações. Ao menor choque, ressoa por muito tempo”.

Nosso entusiasmo, no entanto, não deve nos tornar alienados. Devemos ter consciência das nossas vulnerabilidades e procurar corrigi-las, com empenho, dedicação e autodisciplina. Mesmo que sejamos bem-sucedidos, jamais pode passar por nossa cabeça a idéia de que somos perfeitos, auto-suficientes, em suma, os melhores do mundo. Nunca somos e jamais seremos. E muito menos podemos nos colocar na posição de “centros do universo”, a contemplar e adorar o próprio umbigo. Se incorrermos nesse erro, de nada valerá nosso talento. Jamais conheceremos o delírio do verdadeiro sucesso, mas teremos, isto sim, que conviver com a agonia da frustração. Equilíbrio e realismo são as palavras-chaves para a obtenção (e, principalmente, manutenção) do êxito com o qual tanto sonhamos e nos empenhamos em obter.

*Jornalista, radialista e escritor. Trabalhou na Rádio Educadora de Campinas (atual Bandeirantes Campinas), em 1981 e 1982. Foi editor do Diário do Povo e do Correio Popular onde, entre outras funções, foi crítico de arte. Em equipe, ganhou o Prêmio Esso de 1997, no Correio Popular. Autor dos livros “Por uma nova utopia” (ensaios políticos) e “Quadros de Natal” (contos), além de “Lance Fatal” (contos) e “Cronos & Narciso” (crônicas), com lançamentos previstos para os próximos dois meses. Blog “O Escrevinhador” – http://pedrobondaczuk.blogspot.com
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07/02/2010 12:00
LIBERDADE INDIVIDUAL
Sempre ouvi falar de pais que punham nomes estranhos em seus filhos e que muitas vezes os colocam em situações vergonhosas na fase escolar ou adulta. Isto mostra que ainda há o pensamento de que os filhos são posses dos pais e não indivíduos. Os pais deveriam saber que são curadores dos filhos e não proprietários.

O artigo quinto da constituição deveria ser seguido neste caso: "Art. 5º Todos são iguais perante a lei, sem distinção de qualquer natureza, garantindo-se aos brasileiros e aos estrangeiros residentes no País a inviolabilidade do direito à vida, à liberdade, à igualdade, à segurança e à propriedade." Tudo bem que há recursos de mudar o nome na justiça; porém, precisa-se discutir sobre este pensamento arcaico que persiste no consciente e inconsciente coletivo das pessoas de que filho é uma propriedade e não um ser que tem direitos e garantias fundamentais. Portanto, uma coisa é colocar qualquer nome num objeto e obra artística: " IX - é livre a expressão da atividade intelectual, artística, científica e de comunicação, independentemente de censura ou licença;( Artigo quinto). "

Agora, em relação à vida alheia, deve-se tem bom senso e ter consciência que o outro é um ser vivo que precisa ser respeitado. Os pais deveriam saber que são curadores dos filhos e não donos.


LEI Nº 8.069, DE 13 DE JULHO DE 1990. Estatuto da Criança e do Adolescente:

Art. 3º A criança e o adolescente gozam de todos os direitos fundamentais inerentes à pessoa humana, sem prejuízo da proteção integral de que trata esta Lei, assegurando-se-lhes, por lei ou por outros meios, todas as oportunidades e facilidades, a fim de lhes facultar o desenvolvimento físico, mental, moral, espiritual e social, em condições de liberdade e de dignidade.


Art. 4º É dever da família, da comunidade, da sociedade em geral e do poder público assegurar, com absoluta prioridade, a efetivação dos direitos referentes à vida, à saúde, à alimentação, à educação, ao esporte, ao lazer, à profissionalização .


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30/01/2010 20:45
microcena

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18/01/2010 22:07
SUPER-HOMEM
super-homem
su.per-ho.mem
sm 1 Homem considerado superior ao nível humano vulgar. 2Homem de faculdades extraordinárias. 3 Criação literária referente a tais faculdades.( Michaelis)

Ao ou tentando ler ECCE HOMO de Nietzsche, um fato que me chamou atenção foi o conceito de super-homem, que se difere da visão fantástica dos quadrinhos e do cinema.

Para Nietzsche, ser super-homem é um ser capaz de desenvolver inteiramente a condição humana, construindo novos valores e sentidos para a realidade. Mesmo, o inevitável sofrimento que rodeia a vida.

Tomando carona com esta ideia, cada um de nós podemos ser super-heróis também, ao buscar a própria individualidade e não ficar preso a velhos valores. Renovar sempre a cabeça, jogando fora o que não presta e reaproveitando o que ainda pode ser útil. Não tentar se alienar através de drogas ou se esconder nas máscaras sociais; mas, enfrentar a vida conscientemente.

Portanto, não há necessidade de ter poderes para ser um super-herói. Só precisa exercitar a mente e não ir ao caminho mais fácil de comprar na esquina pensamentos ou pontos de vista.







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10/01/2010 16:27
INSTANTES:
uma leve batida de carro/

um homem escuta musica alta no automóvel/

alguém conversando no celular, parece estar em casa/

malabaristas arranjando uns trocados com suas habilidades/

uma casal corre de mãos dadas para pegar a condução lotada/

lá em cima a lua impera, apesar de não representar nada neste momento; pois, os transeuntes apressados não a olhavam/


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03/01/2010 10:36
" FELIZ ANO NOVO"



solitário diz aos seus gatos na sala/




bandido diz apontando a arma para o casal que caminhava numa rua deserta/




com um olhar, o homem diz ao ver a mulher e o bebê dormirem profundamente na poltrona da sala/




filha diz ao pai inerte na cama/




amigo diz ao outro, interrompendo uma briga de muitos anos/




ele, o mar, diz através de suas águas para os esperançosos/
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03/01/2010 10:35
27/12/2009

MAIS UM TIJOLINHO


Quando fazia aniversário, sentia-se mais sólido; pois, a cada ano que passava, colocava um tijolo na construção da sua individualidade. Aos poucos, deixava de ser um personagem esboçado anos antes de ser concebido.
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29/12/2009 01:02


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28/12/2009 16:26
Breve Romance de Sonho de Arthur Schnitzler


Albertina, esposa de um médico vienense muito bem-sucedido (Fridolin), narra a ele uma fantasia sexual. A partir daí, na mesma noite, ele faz uma viagem vertiginosa entre a realidade e o sonho. Sua aparente tranqüilidade é abalada com a fantasia da esposa, ele se sente traído por ela. Ao decorrer da história, Fridolin entre em contato com seus desejos reprimidos e aventuras eróticas que se assemelham a um sonho delirante. o cineasta norte-americano Stanley Kubrick baseou-se neste pequeno romance de Arthur Schnitzler, para fazer seu último filme: De Olhos Bem Fechados(1999), com Tom Cruise e Nicole Kidman nos papéis principais.


Quando retorna para casa, Albertina revela a ele que sonhara que estava num bacanal no qual o marido era condenado à morte, coincidindo com a experiência que ele teve, ao ir a um baile de mascarados de penetra, onde passara por experiências que nunca pensara em provar. A história possui muitos elementos psicológicos, principalmente analisados pelo psicanalista Freud. “ Um sonho é a realização de um desejo.”. Portanto, Fridolin sentiu realmente traído pela mulher. Também, a narrativa mostra o conflito entre a razão e o instinto: “ Somos feitos de carne mas temos de viver como se fôssemos de ferro.”( Freud). Fridolin passa o tempo inteiro a sofre uma angústia, devido a sua posição e os desejos que brotaram nele, quando ouviu a revelação da esposa.

Ao terminar de ler o livro, comecei a pensar em algumas questões como, por exemplo: se realmente deve revelar tudo para o outro, mesmo os sonhos e pensamentos mais íntimos? Ou há necessidade de ocultar algumas verdades com fantasias e máscaras para proteger uma relação afetiva? Será que é preciso dizer a verdade sempre ou há coisas que somente nos dizem respeito? Eu acho que existem certas coisas que ninguém precisa saber. São inofensivos segredos e desejos íntimos, os quais carregamos para a tumba.

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28/12/2009 15:05

Pesquei a crônica de Clarice Lispector no blog da jornalista Camilla Lopes.

http://cativadodeserto.blogspot.com/2009/12/clarice-sai-em-defesa-da-marginalia.html


Mineirinho

Clarice Lispector

É, suponho que é em mim, como um dos representantes de nós, que devo procurar por que esta doendo a morte de um facínora. E por que é que mais me adianta contar os treze tiros que mataram Mineirinho do que os seus crimes. Perguntei a minha cozinheira o que pensava sobre o assunto. Vi no seu rosto a pequena convulsão de um conflito, o mal-estar de não entender o que se sente, o de precisar trair sensações contraditórias por não saber como harmonizá-las. Fatos irredutíveis, mas revolta irredutível também, a violenta compaixão da revolta. Sentir-se dividido na própria perplexidade diante de não poder esquecer que Mineirinho era perigoso e já matara demais; e no entanto nós o queríamos vivo. A cozinheira se fechou um pouco, vendo-me talvez como a justiça que se vinga. Com alguma raiva de mim, que estava mexendo na sua alma, respondeu fria: 'O que eu sinto não serve para se dizer. Quem não sabe que Mineirinho era criminoso? Mas tenho certeza de que ele se salvou e já entrou no Céu.' Respondi-lhe que 'mais do que muita gente que não matou'.

Por que? No entanto a primeira lei, a que protege corpo e vida insubstituíveis, é a de que não matarás. Ela é a minha maior garantia: assim não me matam, porque eu não quero morrer, e assim não me deixam matar, porque ter matado será a escuridão para mim.

Esta é a lei. Mas há alguma coisa que, se me fez ouvir o primeiro tiro com um alívio de segurança, no terceiro me deixa alerta, no quarto desassossegada, o quinto e o sexto me cobrem de vergonha, o sétimo e o oitavo eu ouço com o coração batendo de horror, no nono e no décimo minha boca está trêmula, no décimo primeiro digo em espanto o nome de Deus, no décimo segundo chamo meu irmão. O décimo terceiro tiro me assassina - porquê eu sou o outro. Porque eu quero ser o outro.

Essa justiça que vela meu sono, eu a repudio, humilhada por precisar dela. Enquanto isso durmo e falsamente me salvo. Nós, os sonsos essenciais. Para que minha casa funcione, exijo de mim como primeiro dever que eu seja sonsa, que eu não exerça a minha revolta e o meu amor, guardados. Se eu não for sonsa, minha casa estremece. Eu devo ter esquecido que embaixo da casa está o terreno, o chão onde nova casa poderia ser erguida. Enquanto isso dormimos e falsamente nos salvamos. Até que treze tiros nos acordem, e com horror digo tarde demais - vinte e oito anos depois que Mineirinho nasceu - que ao homem acuado, que a esse não nos matem. Porque sei que ele é o meu erro. E de uma vida inteira, por Deus, o que se salva às vezes é apenas o erro, e eu sei que não nos salvaremos enquanto nosso erro não nos for preciso. Meu erro é o meu espelho, onde vejo o que em silêncio eu fiz de um homem. Meu erro é o modo como vi a vida se abrir na sua carne e me espantei, e vi a matéria de vida, placenta e sangue, a lama viva. Em Mineirinho se rebentou o meu modo de viver. Como não amá-lo, se ele viveu até o décimo terceiro tiro o que eu dormia? Sua assustada violência. Sua violência inocente - não nas conseqüências, mas em si inocente como a de um filho de quem o pai não tomou conta. Tudo o que nele foi violência é em nós furtivo, e um evita o olhar do outro para não corrermos o risco de nos entendermos. Para que a casa não estremeça. A violência rebentada em Mineirinho que só outra mão de homem, a mão da esperança, pousando sobre sua cabeça aturdida e doente, poderia aplacar e fazer com que seus olhos surpreendidos se erguessem e enfim se enchessem de lágrimas. Só depois que um homem é encontrado inerte no chão, sem o gorro e sem os sapatos, vejo que esqueci de lhe ter dito: também eu.
Eu não quero esta casa. Quero uma justiça que tivesse dado chance a uma coisa pura e cheia de desamparo e Mineirinho - essa coisa que move montanhas e é a mesma que o faz gostar 'feito doido' de uma mulher, e a mesma que o levou a passar por porta tão estreita que dilacera a nudez; é uma coisa que em nós é tão intensa e límpida como uma grama perigosa de radium, essa coisa é um grão de vida que se for pisado se transforma em algo ameaçador - em amor pisado; essa coisa, que em Mineirinho se tornou punhal, é a mesma que em mim faz com que eu dê água a outro homem, não porque eu tenha água, mas porque, também eu, sei o que é sede; e também eu, não me perdi, experimentei a perdição. A justiça prévia, essa não me envergonharia. Já era tempo de, com ironia ou não, sermos mais divinos; se adivinhamos o que seria a bondade de Deus é porquê adivinhamos em nós a bondade, aquela que vê o homem antes de ele ser um doente do crime . Continuo, porém, esperando que Deus seja o pai, quando sei que um homem pode ser o pai de outro homem. E continuo a morar na casa fraca. Essa casa, cuja porta protetora eu tranco tão bem, essa casa não resistirá à primeira ventania que fará voar pelos ares uma porta trancada. Mas ela está de pé, e Mineirinho viveu por mim a raiva, enquanto eu tive calma. Foi fuzilado na sua força desorientada, enquanto um deus fabricado no último instante abençoa às pressas a minha maldade organizada e a minha justiça estupidificada: o que sustenta as paredes de minha casa é a certeza de que sempre me justificarei, meus amigos não me justificarão, mas meus inimigos que são os meus cúmplices, esses me cumprimentarão; o que me sustenta é saber que sempre fabricarei um deus à imagem do que eu precisar para dormir tranqüila, e que os outros furtivamente fingirão que estamos todos certos e que nada há a fazer. Tudo isso, sim, pois somos os sonsos essenciais, baluartes de alguma coisa. E sobretudo procurar não entender.

Porque quem entende desorganiza. Há alguma coisa em nós que desorganizaria tudo - uma coisa que entende. Essa coisa que fica muda diante do homem sem o gorro e sem os sapatos, e para tê-los ele roubou e matou; e fica muda diante do S. Jorge de ouro e diamantes. Essa alguma coisa muita séria em mim fica ainda mais séria diante do homem metralhado. Essa alguma coisa é o assassino em mim? Não, é o desespero em nós. Feito doidos, nós o conhecemos, a esse homem morto onde a grama de radium se incendiara. Mas só feito doidos, e não como sonsos, o conhecemos. É como doido que entro pela vida que tantas vezes não tem porta, e como doido compreendo o que é perigoso compreender, e como doido é que sinto o amor profundo, aquele que se confirma quando vejo que o radium se irradiará de qualquer modo, se não for pela confiança, pela esperança e pelo amor, então miseravelmente pela doente coragem de destruição. Se eu não fosse doido, eu seria oitocentos policiais com oitocentas metralhadoras, e esta seria a minha honorabilidade.

Até que viesse uma justiça um pouco mais doida. Uma que levasse em conta que todos temos que falar por um homem que se desesperou porque neste a fala humana já falhou, ele já é tão mudo que só o bruto grito desarticulado serve de sinalização. Uma justiça prévia que se lembrasse de que nossa grande luta é a do medo, e que um homem que mata muito é porque teve muito medo. Sobretudo uma justiça que se olhasse a si própria, e que visse que nós todos, lama viva, somos escuros, e por isso nem mesmo a maldade de um homem pode ser entregue à maldade de outro homem: para que este não possa cometer livre e aprovadamente um crime de fuzilamento. Uma justiça que não se esqueça de que nós todos somos perigosos, e que na hora em que o justiceiro mata, ele não está mais nos protegendo nem querendo eliminar um criminoso, ele está cometendo o seu crime particular, um longamente guardado. Na hora de matar um criminoso - nesse instante estásendo morto um inocente. Não, não é que eu queira o sublime, nem as coisas que foram se
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20/12/2009 11:28
O CÉU QUE NOS PROTEGE( 1990)



A primeira que vez que vi o filme, o que me mais me marcou foi sua fotografia. Nem prestei muito a atenção na história. Anos depois, ao revê-lo, percebi que não tinha percebido a mensagem da história.

Nos anos quarenta, um casal junto com um amigo vão à África conhecer novos horizontes. Nos primeiros diálogos, há uma discussão sobre a diferença entre o turista e o viajante. Pelo que entendi o primeiro chega com ideia de ir embora para sua terra, enquanto o outro flui por outros caminhos sem se preocupar com o caminho de volta.

Principalmente, o casal adota o segundo conceito a fim de salvar o casamento, que estava se desgastando com o passar do tempo. Embrenham-se nos recônditos do deserto da África, a procura um novo olhar à felicidade. Tem uma parte que o marido pergunta a esposa se ela seria feliz na África e ela respondeu que não saberia dizer. É uma pergunta complicada, já que precisa de muito despojamento para jogar fora valores velhos e viver em um novo mundo como se fosse um recém-nascido e aprender tudo de novo.

Em um ponto da viagem, há um acontecimento trágico que faz a mulher se entregar ao fascínio do deserto e viver num mundo completamente diferente do seu, temporariamente...

Este filme é adaptação de um livro do autor Paul Bowles*. E quero lê-lo para me aprofundar em alguns assuntos que o filme mostrou como a questão da busca de outras realidades, amor e a capacidade do homem se reinventar.


FONTE:

FICHA TÉCNICA DO FILME
• direção: Bernardo Bertolucci
• roteiro:Mark Peploe e Bernardo Bertolucci, baseado em livro de Paul Bowles
• produção:Jeremy Thomas
• música:Ryuichi Sakamoto e Richard Horowitz
• fotografia:Vittorio Storaro
• direção de arte:Andrew Sanders
• figurino:James Acheson
• edição:Gabriella Cristiani

*Elenco

Debra Winger (Kit Moresby)
John Malkovich (Port Moresby)
Campbell Scott (George Tunner)
Jill Bennett (Sra. Lyle)
Timothy Spall (Eric Lyle)
Eric Vu-An (Belqassim)
Amina Annabi (Mahrnia)
Philippe Morer-Genoud (Capitão Broussard)
Sotigui Kouyaté (Abdelkader)
Tom Novembre (Oficial da imigração francesa)
Paul Bowles (Narrador - voz)
Ben Smail (Smail)


http://www.adorocinema.com/filmes/ceu-que-nos-protege/


Ceu Que Nos Protege, O (em Portugues) (2009)
BOWLES , PAUL / SIQUEIRA, JOSE RUBENS
ALFAGUARA BRASIL
LITERATURA ESTRANGEIRA

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15/12/2009 20:13
microcena

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11/12/2009 00:35
OUTROS OLHARES
Fios desencapados

Como observou uma pessoa próxima, nasci com fios desencapados. O que desperdiça minha energia aos quatro cantos e pior, qualquer pingo d’ água que os atinja pode causar explosão.

Algumas coisas ou as palavras que as representam, conseguem puxar o fio detonador da granada que mora em mim.


Se estiver por perto, para não ser chamuscado, evite:


Barulho

Fofoca

Sujeira

Prepotência

Invasão

Dispersão

Agitação

Pichação

Julgamentos


No momento em que o mundo se torna mais pequeno a cada dia, as fronteiras e os muros precisam ser ativados. Seria lindo incentivar a propagada tolerância, a aceitação incondicional, o amor sem reservas. Teorias tão belas quanto impossíveis em um mundo onde o vizinho te acotovela ao respirar, quando respira te chove perdigotos, quando chove perdigotos te inocula vírus, pois nem sabe se cuidar e ignora a mínima educação. Em lugar das desculpas, te xinga porque você tocou seu sarado braço.

Novos vizinhos inundaram o prédio ao lado e, como há um nivelamento social a partir das camadas da base da pirâmide, há festas aos finais de semana. Carioca adora um frege! Tudo bem, se não começassem entre oito e nove da manhã de sábado ou domingo, nos tirando dos braços de morfeu para, indefesos e ainda remelentos, nos atirar num som funk a milhares de decibéis acima do aceitável por ouvidos saudáveis. E bom seria se este som não viesse acompanhado do odor de carne de terceira, torrada numa churrasqueira aberta, ao lado de linguiças das mais variadas improcedências. E tome fumaça, acompanhada de cheiro de cerveja choca.

Detalhe: a festinha adentra a noite e passa das 23horas, com direito a microfone que abre para karaoquê dos convivas. Fecham-se as janelas, todas! Morre-se de calor e o som ainda ri de nossas tentativas de rejeitá-lo.

Imagina se eu ou um outro vizinho que aprecie o bel canto, pusesse Pavarotti a cantar na mesma altura? E se em outro canto, alguém começasse a treinar para o carnaval, enquanto um aficionado de Jazz estourasse a noite com um belo solo de trompete?

Certamente alguma mamãe não conseguiria fazer seu bebê dormir, o velhinho doente não pegaria no sono calmante de suas dores e eu não estaria aqui escrevendo sobre este delírio que inunda com muita água meus fios desencapados de nascença, mas cujos choques atingem primeiro meus educados neurônios, até que eu chamusque alguém que irá me chamar de sem educação, porque alterei um pouco a minha voz!


Escrito em 08-12-2009

enquanto o final de semana não vem.



Blogs da autora: http://idealiapolaris.blogspot.com/



http://microargumentos.blogspot.com/

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10/12/2009 22:34
AJUDANDO O ANJO DA GUARDA


Por esses dias, aconteceu um fato que me chamou atenção. Não sei se é relevante escrever sobre isto, mas fiquei curioso. Recebi um e-mail de uma pessoa que vejo há três anos e que não tinha muita intimidade com ela, na época em que a conheci. O conteúdo da mensagem era que havia mudado o número de celular e deu o novo.

Logo, a discussão sobre a segurança na internet emergiu na minha cabeça. Será que as pessoas estão revisando e atualizando seus contatos de e-mail ou redes sociais? Divulgar dados pessoais requer muito cuidado e se a gente se surpreende com as pessoas ao vivo, imagina virtualmente. Duvido que ela pensasse em mim, quando passou o novo número do telefone. Sou um desconhecido que pode fazer o que quiser com este dado.

Realmente, o que deixa temeroso é que diversas vezes não tomamos cuidado com a internet, a qual pode ser bastante perigosa. Minto! Não ela, mas sim os internautas.

Precisa-se tomar cuidados simples como rever as listas de contatos e deletar pessoas, que não mais estão em nosso convívio pessoal. Assim, poderá evitar contratempos e ajudar seu anjo da guarda.



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08/12/2009 20:05
outros olhares
Kawabata
Ana Mello *

Quando meu amigo Ramiro disse que interrompeu a leitura do livro
Contos da Palma da Mão, do prêmio Nobel de Literatura Yasunari
Kawabata para ler meu livro, Minicontando, fiquei lisonjeada
e resolvi ler o referido autor. Já sabia que ele tinha sido premiado
em 1968, quando eu tinha sete anos e que foi o primeiro japonês
a receber esta distinção.

Pedi livros dele de Natal e sei que vou ganhar, pois eu mesma coloquei
na árvore. Contos da palma da mão e A Casa das Belas Adormecidas.
Sempre coloco presentes para mim na árvore, faço isso enquanto
sou Papai Noel da família. Compro os meus presentes, os presentes
do meu marido para a família dele, que também é minha, claro.
Os presentes da minha mãe para nós e para as amigas dela.
Neste aspecto sou muito organizada e prática e acho que sempre
acerto no gosto das pessoas e no orçamento. Já estou com quase
tudo comprado e na árvore e ainda estamos no início do mês.
E para espanto geral não fiquei devendo nada. Isso foi novidade.

Os presentes que coloco para mim eu esqueço totalmente e a surpresa
é bem boa no dia do Natal, gosto de ganhar várias coisas.
Gosto de muitas coisas e conto para todo mundo, assim fica fácil.
Escuto o que as pessoas falam também e geralmente sei quem gosta
do que. Isso é bacana, quem ganha algo que gosta se sente feliz,
acarinhado.

Com mais dinheiro eu seria um excelente “Papai Noel”. Sei que muita
gente fica triste nesta época porque enxerga melhor as diferenças
e toma consciência de que muitas pessoas não tem nada novo
apenas porque é Natal. Realmente dá uma culpa e para amenizar
só com solidariedade, mesmo que seja uma pequena gota no oceano.
É uma forma de dividir e compartilhar.

Acabei de ler que o Kawabata tinha atração pela psicologia feminina,
pela solidão e pela angústia da morte. Ele era poético, triste,
deprimido e cometeu suicido, que pena isso, teve um surto depressivo.
Difícil não ficar deprimido quando os motivos são muito fortes,
mas também não tem como dosar o quando fortes os motivos
são para cada pessoa.
Minha receita é fazer o máximo para mantiver-se ativo,
ocupado e com projetos que resultem em alegria.
Não só coisas complicadas e que demandem muito tempo.
Projetos menores também, como uma nova arrumação na casa,
a árvore de Natal, a compra de uns presentinhos, uma receita nova
ou até mesmo um livro de contos. Meu projeto favorito.

Cronica retirada do site: http://www.sortimentos.com/gente/ana_mello-091207.htm

Blog da autora: http://minicontosanamello.blogspot.com/

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07/12/2009 23:21
Nosferatu: O Vampiro da Noite do diretor alemão Wladimir Herzog ( 1979)






Quando vi este filme, fiquei com a alma inquieta. Apesar das imagens fortes, principalmente, a cena de abertura que mostra múmias de bebês até adultos, o que me angustiou foi a solidão do Nosferatu. Estava cansado da eternidade, buscava uma companhia. O diretor filmou várias cenas idênticas ao filme da primeira versão( 1922), a película pertenceu ao movimento expressionismo alemão da década de 20 do século passado( XX).

Palavras chaves do filme( na minha concepção): Solidão. Angústia. Busca. Fome. Obsessão.


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07/12/2009 19:09
Feliz Natal ( Brasil, 2008)


Caio trabalha em um ferro-velho no interior e tem uma companheira, porém, no passado, levou uma vida de irresponsável e que o levou a cometer um acidente, do qual lhe deixou feridas profundas na consciência. Na véspera de Natal, resolve visitar a família. Quando chega, encontra seu irmão Theo apático e com o casamento em crise. O pai, amigado com uma mulher muito mais jovem e Mércia, a mãe, vive a ingerir coquetéis alcoólicos e psicotrópicos. A cunhada, Fabiana, está frustrada com matrimônio e vive as turras com a nora. Enquanto isto, os filhos do casal são ignorados e não têm o suporte da família para entender a proliferação de informações que há hoje em dia.


Depois de assistir ao filme no Canal Brasil no último sábado, certas palavras surgiram na minha cabeça: desesperança, culpa, castigo, negligência, ruína, traição, alienação e vertigem. A película é realista, psicológica e retrata a decadência de valores de uma família pequena burguesa. O filme reforça a ideia de que uma imagem vale mais do que mil palavras. A fotografia sombria e os silêncios dos personagens diziam muito mais, quando eles falavam.

Feliz Natal é uma história recomendável, porque faz uma reflexão sobre o esvaziamento de valores que ocorre na atualidade.

• título original:Feliz Natal
• gênero:Drama
• duração:01 hs 40 min
• ano de lançamento:2008
• site oficial:
• estúdio:Bananeira Filmes
• distribuidora:Europa Filmes
• direção: Selton Mello
• roteiro:Selton Mello e Marcelo Vindicatto
• produção:Vania Catani
• música:
• fotografia:Lula Carvalho
• direção de arte:Renata Pinheiro
• figurino:
• edição:Selton Mello


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